3 X josé
Conheceu Solange em um baile. Desses de interior. Com barraquinhas e correio elegante. Foi amor à primeira vista. Sem explição. Ela nem era tão bonita. Mas não importava. O que valia era o sentimento.
Começaram a namorar naquela mesma noite. Em quatro meses, ficaram noivos. Antes de completar um ano juntos, se casaram. Alguns duvidavam que daria certo. Mas José transbordava confiança. Dizia para quem quisesse ouvir: “é a mulher da minha vida, nem sei falar”.
Foram felizes por quase uma década. Tiveram 2 filhos. Quando ela ficou doente, José parou até de trabalhar. Permaneceu ao lado da esposa até o suspiro final. No enterro, estava inconsolável. E assim permaneceu por meses a fio.
Preocupada com os sobrinhos, Simone, a irmã gêmea de Solange, começou a visitar a casa com frequência. Mantinha longas conversas com José e o ajudava a cuidar dos filhos. Aos poucos, foram se acostumando um com o outro. Quando perceberam, estavam namorando.
Por respeito à falecida, o casamento foi discreto. Nada de igreja, nem festa. Só uma reunião para os mais íntimos. José era só alegria. Se achava o mais sortudo dos homens. “Perdi um amor, mas encontrei outro ainda melhor”, dizia.
E a vida dos dois foi boa mesmo. Era um amor tranquilo, sem brigas ou discussões. Nos cinco anos que viveram juntos, tiveram uma filha, dois cachorros e uma criação de canários. Quando tudo parecia perfeito, veio a tragédia. Um acidente de carro. Ele não teve chance sequer de se despedir. Simone morreu na hora.
José ficou arrasado, desesperado. Era azar demais. Só não suicidou-se por causa dos filhos. Não queria ver ninguém. Ficou mais de mês sem sair de casa. Quem o via, dizia que ele jamais se recuperaria.
Mas a vida continuou. E José, aos poucos, foi recuperando a alegria. No natal, criou coragem e foi até a casa da ex-sogra. E lá reencontrou Sabrina, a irmã mais nova de Simone e Solange. Filha temporã, era apenas uma menina quando do primeiro casamento. Mas agora, já na casa dos 20, era uma mulher e tanto.
José se sentiu até mal. Não podia, não devia, mas passou a noite olhando para a ex-ex-cunhada. Depois, se ardendo de culpa, prometeu esquecer essa idéia. Só não esperava que Sabrina se interessasse. E passasse a visitá-lo. Ele tentou resistir. Pensou até em mudar de cidade. Mas não teve jeito.
O namoro foi mais tranquilo do que ele imaginava. Ninguém o criticou. Nem mesmo a sogra. Parecia óbvio, coisa do destino. De todo jeito, ele decidiu não fazer festa alguma. Casamento só no civil; com poucas testemunhas. E mesmo assim, com uma condição. Não que acreditasse nessas coisas. Mas exigiu que a noiva fizesse um seguro de vida.




