
Tudo começa na pressão que o mundo de hoje exerce sobre nós. Cada um tem a obrigação de ser bonito, ter sucesso, dinheiro, fama... E ninguém escapa dessa, não adianta pensar que a loira burra e siliconada sofre mais pressão que a menina alternativa de cabelos curtos. Todo mundo precisa “ser” alguém, ter uma personagem para encarar a realidade.
Passemos à prática. Será mais fácil entender. Quando trabalhamos, nos travestimos na nossa personagem principal. Somos empresários, médicos, jornalistas, balconistas ou operários. Durante nossa atuação profissional, deixamos de lado nossa individualidade para exercer o que nos é devido. Levando-se em conta que uma pessoa normal gasta 12 horas por dia nessa função (8h de trabalho + almoço, deslocamento, ginástica...), de segunda a sexta, quase não podemos ser nós mesmos.
Mas aí, finalmente, chega a sexta-feira, final do dia. E, junto com o alívio, começam os problemas. Não conseguimos ficar parados. Uma pessoa que se dedicou a semana toda ao seu trabalho, merece um descanso no mesmo nível. Temos a obrigação de nos divertir muito, afinal fazemos sucesso, somos bonitos, sarados... E como se não bastasse, somos humanos!! Sim, apesar de tudo, ainda temos dúvidas, medos, inseguranças... E é justamente nos finais de semana, quando paramos (quando paramos?) que tudo isso vem à tona. Então, além de termos de nos divertir muito, somos obrigados a enfrentar nossa própria realidade? Que vida injusta!
Algumas pessoas resolvem esse problema de maneira bem simples: arrumam um hobby e uma nova personagem para o final de semana. Então, de segunda a sexta, fulano é dentista e no final de semana é corredor, piloto, ativista ou aeromodelista. Com isso, evita o tempo livre, a pressão para se divertir, as questões mundanas. Outros vão às igrejas - ao invés de pensar, rezam. Um terceiro grupo recorre às drogas, aí, além de não pensar, conseguem ter prazer. Os mais sensíveis acabam no divã ou no Prozac, mas a maioria é só infeliz mesmo.
É claro que além de um problema, esse vazio fim–de-semanal é bastante lucrativo. A indústria do entretenimento é das que mais crescem no mundo. Filmes, músicas, games, nossa exigência é cada vez maior. Isso fora os restaurantes, as baladas, as raves... Quanto mais pressão, mais precisamos de diversão.
Já até pensei em mandar para o congresso um projeto para abolir os finais de semana. Ainda bem que hoje é segunda...


3 Comments:
Não sei se serei a única a discordar, mas que seja. Eu conto os dias para o final de semana. São nesses dois curtos dias que posso me dedicar mais a duas das coisas que mais gosto: a banda e a gravadora. Durante a semana tenho que espremer essa parte entre trabalho, ginástica, comer, dormir. Diferente de você, eu realmente me sinto melhor (ou se quiser, mais feliz) nos finais de semana. E acho que tempo livre para o famoso e debatido "ócio criativo" até que me cai bem! =]
É claaaaaaaaaaaaaaaro q existem exceções, a idéia do texto foi só sucitar o debate. É um fato q a maioria das pessoas não sabem oq fazer com elas mesmas...
eu participo ativamente do seu debate ehehehe
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